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terça-feira, 24 de março de 2009

VIAGEM E TURISMO: FERNANDO DE NORONHA

As pousadas cinco-estrelas e outras maravilhas do arquipélago que é a quintessência da nossa beleza.
A respeito de Fernando de Noronha, acredite em tudo o que foi dito por seus amigos. Eles não exageraram. Não há equivalente no litoral brasileiro a este pedaço de chão. Tampouco existe rodovia federal mais curta do que a BR-363, que, com seus 7 quilômetros e duas lombadas, liga Noronha a ela mesma. Creia também em cada foto vista nas páginas das revistas, não são fruto do Photoshop. Sim, o mar se alterna entre o verde-esmeralda, o azul-turquesa, o azul-anil, o azul-marinho e todos os outros azuis. As praias do Sancho e da Baía dos Porcos, ambas adornadas pelo Morro Dois Irmãos, um dos pontos mais fotografados da ilha, são pivôs de uma dúvida eterna: qual delas seria a mais bonita da Republica Federativa?

1) SABOREAR
Em vez de colher opiniões de quem você já conhece, vá a Noronha, visite as suas praias e tire sua própria conclusão.
Não se esqueça, ao voltar para casa, de tripudiar sobre quem nunca esteve lá. Você também poderá anunciar aos desafortunados que, não bastasse a beleza de sempre desse arquipélago com 21 ilhas e 112 quilômetros quadrados, agora há mais novidades. As mais animadoras vêm da cozinha. Até bem pouco tempo, comer em Noronha era um desafio quase tão difícil quanto descer a claustrofóbica escadaria encaixada nas rochas que separam as águas mornas e translúcidas do Sancho dos anseios de banhistas preguiçosos. Já não é mais. Há uma tendência a sofisticação gastronômica. Os dois maiores exemplos são os joviais Xica da Silva e Cacimba Bistrô.
No primeiro, o garçom assegura a satisfação com o filé de peixe ao molho de manjericão, purê de jerimum (abóbora) e recheado com camarões gratinados. O lugar, instalado na Vila dos Remédios — a principal da ilha e onde vive a maioria de seus 3500 habitantes — tem dois pisos, sendo o superior uma varanda suspensa sobre um deque de madeira, lhe rende um ar descolado. O Cacimba Bistrô, funciona numa antiga casa colonial reformada, com paredes espessas. O restaurante é o preferido dos gringos, os únicos indiferentes aos preços salgados dos serviços na ilha.
Por fim, horizontes abençoados e receitas sofisticadas não são a do Tricolor, um lugarzinho com cara de boteco, que serve uma moqueca de peixe, polvo e camarão, acompanhada por arroz, pirão e um feijão de matar de felicidade. Outra maravilha: o preço, em conta.



2) VISUAL
Não é que as outras pousadas, ao entardecer, não funcionem como mirante ao fim do dia. Na Maravilha, por exemplo, o sol de despede em grande estilo. Mas a piscina da Pousada Zé Maria, acomodada sobre um deque, está bem próxima do Morro do Pico.
Quando chega o lusco-fusco, a luz avermelhada reflete nas paredes escuras da grande rocha. Nesse momento, a ordem na casa é servir um coquetel de lima-da-pérsia.
Poucas coisas são tão fascinantes quanto o pôr-do-sol em Noronha. Se, por qualquer motivo improvável, você dispor de apenas um dia na ilha, vá ver o crepúsculo a partir do mirante natural na Praia do Boldró, de onde se avista o Morro Dois Irmãos. O cenário é especial o ano todo, mas revela ainda mais arrebatador nos meses de setembro, outubro e fevereiro, quando, por alguma bendita resolução dos corpos celestes, o sol se põe exatamente entre as duas rochas gêmeas.
Dá vontade de escrever um poema, fazer as pazes com algum antigo desafeto, tomar um conhaque, abraçar a turista ao lado. Quando estiver lá em cima, observe que, a meio caminho, na direção do sol, algumas pessoas estarão presenciando o mesmo espetáculo de outro mirante natural — mais baixo, porém mais perto do Morro Dois Irmãos.
Trata-se da Pedra do Bode, que poderá ser sua opção ao entardecer do dia seguinte. É o mesmo visual, só que, em função da proximidade, capaz de transmitir outra sensação.
Sua quarta experiência crepuscular em Noronha lhe trará uma perspectiva oposta a do Bode. Ao subir até as ruínas do Forte Nossa Senhora dos Remédios, construído no século 18, a paisagem torna-se ainda mais aberta. Ao seu dispor estará o recorte das pequenas enseadas das praias do Cachorro e do Meio, tendo, ao fundo, o bom e velho Morro do Pico. Daí em diante, para variar no pôr-do-sol noronhense, restará apenas uma alternativa: no mar, apreciado do convés de um barco.

3) POUSADAS
O aprimoramento de pousadas de ponta como a Maravilha, a do Zé Maria e a Teju-Açu levou as demais a instalar confortos como internet sem fio. Na Maravilha, além da piscina e dos futons de frente para o mar azul, a privacidade é garantida.
Muito diferente do que acontece na Zé Maria, onde o dono, e seu filho Tuca são, figuras tão certas quanto o sol em Noronha (o verão aqui dura 12 meses). A simpatia é a marca da pousada, mas não é só isso. Ela ficou mais moderna e mantém, claro, o visual do Morro do Pico.
Já a Teju-Açu não tem a gala da primeira e nem a descontração da segunda. No entanto, guarda um pouco de cada. Além disso, compensa com charme a ausência de um mirante.

4) PASSEIOS
Se for para zarpar ao oceano, que seja com elegância. De tão exclusivo, o iate Shiva tem permissão para entrar na área do parque nacional. No barco de 18 metros ornado com itens de luxo, cada passageiro tem seu roupão. Conforto semelhante é encontrado nos quartos da embarcação, caso você decida alugar o barco - que, para aumentar a mordomia, parte do porto de Santo Antônio com cozinheiro a bordo. Dá para pescar sua própria albacora (atum local) e provar do sashimi mais fresco de sua vida.
Se você preferir apreciar os peixes em vez de petiscá-los, providencie um mergulho. Não há no Brasil lugar melhor para isso. A visibilidade submarina se estende aos 50 metros e a temperatura média é de 27 graus. Não raro, dá para ver tartarugas e arraias gigantescas e até tubarões-lixa.
No mergulho noturno, período no qual os bichões são bem ativos, é ainda mais fácil topar com um deles, mas é claro que ninguém é obrigado a encará-lo. Se você fica apavorado só de pensar num tubarão, permaneça na superfície. Nas trilhas da Praia do Cachorro à Baía dos Porcos e da Baía dos Golfinhos ao Sancho, o suadouro é garantido em função do calor, mas não há grandes dificuldades para percorrer o terreno.

5) NOITE
Depois de tanta ação, mesmo o mais empolgado praticante de ecoturismo vai querer descontrair. No forró ao vivo do Bar do Cachorro, na praia homônima, dá para dançar com a gente da terra sob a abóbada estrelada, muito embora o céu brilhe mais para as visitantes do sexo feminino, visto que a proporção noronhense é de dez homens para cada mulher.
No sábado, o cão danado se aquieta e todo mundo corre para a Pizzaria, ao lado da igreja na Vila dos Remédios.
Por incrível que pareça, uma das opções mais interessantes da noite na Ilha são as palestras do Projeto Tamar. Os vídeos e informações a respeito da vida marinha dão o tom da imersão na cultura ambiental de Noronha.

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